Um brasileiro que se identifica nas redes sociais como “Soldado Molina” e afirma ser morador de Maricá publicou um vídeo alertando pessoas que cogitam viajar para a Ucrânia para integrar forças estrangeiras em meio à guerra contra a Rússia.

No relato, ele diz que a realidade do conflito é muito diferente da imagem divulgada em vídeos nas redes sociais, muitas vezes associados a promessas de altos ganhos financeiros ou à ideia de uma experiência militar temporária.

“Prepare o psicológico”, diz brasileiro em vídeo

Molina afirma que, além dos riscos diretos dos combates, brasileiros enfrentam dificuldades de adaptação à cultura, à alimentação e à convivência no país.

O ponto central do alerta é o impacto psicológico provocado pela rotina em uma zona de guerra. Segundo ele, a possibilidade de perder companheiros passa a fazer parte do cotidiano de quem está no conflito.

“Você faz amizade e, quando menos espera, perde seus amigos. Então já venha preparado psicologicamente, porque o negócio aqui é de verdade”, afirmou no vídeo.

O relato também menciona experiências negativas de convivência e situações de preconceito. As declarações representam a experiência narrada pelo autor do vídeo e não substituem informações oficiais sobre o conflito.

Itamaraty recomenda recusar ofertas para forças estrangeiras

O alerta do brasileiro está alinhado às orientações do Ministério das Relações Exteriores. A Embaixada do Brasil em Kiev recomenda que cidadãos brasileiros evitem viagens à Ucrânia enquanto durar a guerra, considerando os ataques frequentes em diferentes regiões do país.

O Itamaraty também recomenda fortemente que brasileiros recusem convites, propostas de trabalho ou ofertas para integrar forças armadas estrangeiras em conflitos internacionais.

Segundo o órgão, há risco de morte, possibilidade de dificuldades para deixar as unidades militares após o alistamento e limitações na assistência consular, especialmente em razão das condições de segurança e dos contratos firmados pelos combatentes.

Além disso, o governo brasileiro esclarece que não tem obrigação de custear passagens ou o retorno ao país de cidadãos que decidam se alistar no exterior.

Brasileiros mortos e desaparecidos na guerra

Dados divulgados pelo Itamaraty em julho apontavam 35 brasileiros mortos e 92 desaparecidos desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os números consideram casos oficialmente comunicados ao governo brasileiro por autoridades dos dois países e podem não abranger todas as ocorrências. Veja os dados divulgados à época.

Há estimativas de que até 2 mil brasileiros possam estar ou já tenham estado envolvidos no conflito, mas não existe um levantamento oficial consolidado sobre o total de cidadãos brasileiros que viajaram para atuar na Ucrânia.

Guerra não é conteúdo de rede social

A mensagem divulgada pelo morador de Maricá chama atenção para a distância entre conteúdos publicados no TikTok e Instagram e a realidade de uma guerra: ataques, perdas, isolamento, insegurança e consequências psicológicas.

Para brasileiros que pensam em viajar ao país para atuar no conflito, a recomendação oficial permanece clara: evitar a Ucrânia durante a guerra e recusar propostas de participação em forças armadas estrangeiras.